Central da Leitura virou Blogspot!

 

Sei que muitos de vocês talvez não gostarão da novidade, mas agora o Central da Leitura será permanentemente transferido para o site http://www.centraldaleiturablog.blogspot.com e lá vocês encontrarão todos os posts que haviam aqui no wordpress e as novidades que virão por aí! Peço que todos os meus seguidores do blog possam agora me seguir através do GFC do Blogspot para continuarem recebendo as atualizações e possíveis promoções que virão por ai! Obrigado a todos que acompanhavam o blog e espero vê-los no blogspot!

Até mais (:

Garota Exemplar, de Gillian Flynn

Título Original: Gone Girl
Autor: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Páginas: 448
Lançamento: 2013

Garota Exemplar foi um dos poucos livros que chegou na minha mão com expectativas altíssimas e que ainda conseguiu superar as expectativas no final. Eu pensava que seria apenas mais um livro de suspense policial que me conquistaria, afinal, ainda está para ser escrito um suspense policial que não me conquiste, mas Garota Exemplar fez muito, muito mais do que me conquistar.

O livro narra a história de um casal em crise, Amy e Nick, e a trama se desenvolve a partir do desaparecimento de Amy bem no dia do aniversário de casamento de 5 anos dos dois! Intercalando os pensamentos de Nick e as páginas do diário de Amy anteriores ao seu desaparecimento o leitor tenta descobrir um suspeito, mas a cada mudança de ponto de vista fica muito difícil sustentar a mesma opinião. É um livro muito difícil de não te surpreender, a surpresa pode até desagradar, confesso, mas fato é que o desfecho desse livro foi um dos desfechos mais imprevisíveis que eu já li desde que me lembro!

O livro é dividido em três partes e um ponto extremamente negativo é que o título dessas partes assim como o título de cada capítulos dão spoilers! Então quem acidentalmente der uma folheada no índice da obra, já perdeu boa parte da surpresa (meu caso)… De qualquer forma as reviravoltas da trama foram muito maior do que diziam os títulos, então eu relevei.

Li outras resenhas que criticavam a primeira parte do livro, que realmente é a mais parada de todas e foca mais no desenvolvimento do perfil psicológico dos dois personagens e não tem muito avanço no caso do sumiço, mas meu conselho pra vocês que não conseguiram passar da primeira parte é não desistam. Pra mim, a segunda parte compensa qualquer coisa. Infelizmente, não posso comentar muito sobre as últimas partes para não dar spoiler, mas queria relatar que foi um livro que mexeu muito comigo, pois quando acabou eu só consegui pensar numa coisa: que livro perturbador, eu não gostaria nunca de conhecer essa escritora pessoalmente, pois ela só pode ser maluca.

Não é uma coisa muito normal de se pensar no final do livro, porque não diz realmente se eu achei o livro bom ou ruim e realmente… Esse livro não me conquistou pelo fato de ser bom ou não, mas sim pelo fato de ser diferente de qualquer outra coisa que eu já li antes. Mesmo que eu tivesse odiado o final, ainda seria impossível pra mim não indicá-lo à vocês ou dar uma boa nota pra ele, porque uma das melhores características que eu acho que um livro pode ter é a de te deixar completamente perplexo e isso o livro faz como nenhum outro! Sempre que você acha que conseguiu prever o final a Gillian Flynn vai lá e mostra como estávamos enganados…

Nota: 4/5

Considerações sobre a ocupação do Congresso no dia 17 de junho de 2013

Olha só o que vejo na TV. Datena, ao vivo, apoiando os manifestantes e defendendo a legitimidade e justeza da causa. Mas o que é isso? Todas as emissoras mudando de lado repentinamente. De vândalos a heróis do povo? Nada de surpreendente.

O que me surpreende deveras é ver e ler aqueles que fervorosamente divulgam esse espetáculo encenado. Ocupar o Congresso Nacional hoje tem algum significado maior além da nossa admiração ingênua e estéril da imagem grandiloquente?

Podem me chamar do que quiser, mas o que fica no final não é uma mensagem muito otimista, pelo menos no que refere ao que presenciei em Brasília. A manifestação daqui morreu, de fato, depois que os manifestantes “ocuparam” o Congresso e, encantados demais com a beleza da cena, a grandiosidade da imagem, calaram-se, atônitos.

O discurso político de antes, mesmo difuso e superficial, foi enfim silenciado. Nem precisaram usar bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes ou balas de borracha.

Era tudo o que os reais inimigos da democracia queriam. Voltamos para nossas casas. ligamos a TV, entramos no facebook e compartilhamos satisfeitos fotos desse belo espetáculo.

Fomos derrotados. Mais uma vez.

La S7ptima M, de Francisca Solar

Título Original: La S7ptima M
Autor: Francisca Solar
Editora: Montena
Páginas: 276
Lançamento: 2006

É com muita alegria que eu venho aqui resenhar meu primeiro livro lido em Espanhol! E eu comecei bem, porque a Francisca Solar é uma das escritoras chilenas mais promissoras da atualidade, que se tornou famosa após a publicação de sua fanfic do sexto livro da saga Harry Potter, chamado El Ocaso de los Altos Elfos, que atingiu milhares de leitores em todo o mundo e chegou a ser traduzido para o inglês e italiano. Depois do sucesso com a fanfic, Solar foi contratada para deixar um pouco de lado os personagens da J. K. Rowling e escrever sua própria série. La S7ptima M é o primeiro livro dessa série que atualmente se encontra em seu segundo volume com El Hadas de Las Cadenas.

Antes de tudo La S7ptima M não é mais um livro de fantasia como Harry Potter e sim um livro de suspense e ficção científica, duas coisas que me fazem escolher imediatamente um livro pra ler! O livro conta a história de Sophie Deutiers, uma perito forense e tanatóloga que é contratada para trabalhar num misterioso e altamente confidencial caso do suicídio de 5 jovens em Puerto Fake, um povoado minúsculo do Chile praticamente ignorado pelo governo chileno e composto inteiramente por estrangeiros alemães rancorosos. Acompanhando Sophie nessa investigação está o detetive policial mais insuportável da história MARCO FELICIANO (nome muito sugestivo) e Cal, o amigo fotógrafo e hacker de Sophie muito conhecido e julgado por ter criado o site Ad Rotem, dedicado exclusivamente para postagem de fotos de corpos mortos (quanto mais bizarra a morte, maior o ibope).

Chegando em Puerto Fake, os três investigadores descobrem que o caso é muito mais misterioso do que aparentava e que precisam lidar com a hostilidade de todos os moradores da cidade ao mesmo tempo em que tentam explicar o aparente medo que todos esses estrangeiros têm do Sol e porque as janelas de todas as casas que dão para o leste são lacradas. O livro inteiro é permeado de referência à série Arquivo X (The X-Files) e inclusive o próprio mistério que ronda Puerto Fake é digno de um episódio da série já que possui os mesmos elementos de suspense sobrenatural.

O tempo todo em que li o livro não conseguia de maneira alguma pensar num final possível para a trama, o que me agradou bastante. Outro ponto que achei muito positivo foi o quanto esse livro me lembrou O Anjo da Morte, da série Os Karas de Pedro Bandeira, a melhor série que eu li na infância. A ausência de romance no livro também me agradou, pois são raros os livros que focam num bom enredo sem sentir a necessidade de colocar sempre um caso amoroso em algum lugar, mas acredito que com certeza isso deverá acontecer nos próximos livros da série.

Se você procura um bom livro juvenil de suspense estilo Os Karas, com certeza não se decepcionará com La S7ptima M!

Nota: 4/5

O Espírito da Licienciatura

Logo nos meus primeiros meses como estudante de Letras pude notar um comportamento semelhante em alguns alunos que não eram vistos em outros. Mais tarde descobri que os alunos que exibiam esse padrão comportamental eram em sua maioria estudantes de Licenciatura e friso aqui a palavra maioria, porque de fato nenhum estudante de Bacharel está imune a essa prática, que muito mais tem a ver com a personalidade de cada um do que com seu curso ou habilitação propriamente dito. Depois de declarar essa minha constatação para outros amigos de Letras descobri também que muitos compartilhavam da mesma opinião e por isso decidi escrever esse texto.

Afinal, o que viria a ser esse Espírito da Licenciatura?
Não é raro encontrar num curso de Licenciatura estudantes que as vezes desde o Ensino Médio vêm dando aulas particulares em empresas de reforço escolar ou até mesmo de maneira independente. Quando são mais velhos também é comum encontrarmos nas aulas estudantes já formados em Pedagogia que procuram tirar um segundo diploma de Licenciatura e nesses casos já estão dando aula há um tempo considerável. Como então as pessoas que já se colocaram na posição de professor conseguem se recolocar na posição de estudante e aceitar serem dirigidos por outro professor? É nessa questão que se centra o que vim a chamar de Espirito da Licenciatura.

É muito triste quando vemos com tamanha frequência estudantes que não se enxergam mais na posição de aluno e passam a gastar o tempo da sala de aula em discussões com o professor se colocando em “pé de igualdade” com eles e iniciando todas as questões em sala com a frase “quando eu estava dando aula pro meu aluno surgiu tal duvida…” como se quisessem apenas reforçar para o resto da turma que elr já se encontra num nível diferente e acima dos demais.

Esse tipo de comportamento apenas me entristece e me preocupa sobre qual será o futuro dos professores do Brasil, pois hoje sou de opinião que uma vez que a pessoa passa a se considerar professora ela jamais consegue retornar a posição de aluno e são essas mesmas pessoas que se tornarão os professores que costumávamos detestar no nosso Ensino Médio por serem autoritários e muitas vezes abusarem do poder. Esses serão aqueles mesmos professores que precisam sentir que os alunos dependem deles para tudo, ao invés de entender que a função do professor é justamente dar as ferramentas para o aluno se tornar independente.

A auto-identificação com o papel de “professor” agrega muito poder para si e gera uma incapacidade de reconhecer um erro ou assumir que ainda estamos em processo de aprendizagem, pois quem se sente “professor” acha que o processo de aprendizagem já está completo. É a mesma questão do instinto formativo versus instinto conservativo de Bachelard. Quem se auto-identifica como professor já entrou no instinto conservativo há tempos!

Quero que fique claro aqui que eu não estou de forma alguma afirmando que todos os estudantes de licenciatura se transformarão automaticamente em maus professores no futuro, pois dessa maneira eu estaria afirmando que nós não temos professores competentes hoje no Brasil, uma vez que todo professor é automaticamente formado em licenciatura, mas sabemos que isso não é de nenhum modo verdade já que temos profissionais brilhantes na área. O que estou querendo concluir aqui é que esses profissionais brilhantes que falei (esses que cada estudante de licenciatura deveria aspirar se tornar) nunca deixaram de ser estudantes, nunca pararam de aprender e nunca se auto-identificaram com essa figura de poder do “professor”, pois ele permaneceu estudante a vida inteira (ou pelo menos enquanto durou sua vida profissional). E esses professores, apesar de licenciados, conseguiram se tornar isentos do “Espírito da Licenciatura“!

É isso que eu desejo para todos os estudantes universitários do Brasil, sejam eles bacharelandos ou licenciandos: se libertem do “Espírito da Licenciatura“, se libertem do instinto conservativo

Fazendo Meu Filme 1, de Paula Pimenta

Autora: Paula Pimenta
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
Lançamento: 2009

Comecei a ler essa série depois de ter visto tantas resenhas positivas sobre ela nos meus blogs favoritos e cometi o maior erro de todos: abri o livro com as maiores expectativas que eu poderia ter! Isso foi péssimo, porque não importa o quão boa foi a série, ela simplesmente não alcançou as expectativas geradas e eu não consegui evitar de terminá-la um pouco desapontada…

A Estreia de Fani é o primeiro livro da série já terminada Fazendo Meu Filme da autora mineira Paula Pimenta e narra a história de Fani, uma adolescente de 16 anos completamente apaixonada por filmes e DVDs e por seu lindo professor de Biologia. De repente, surge a possibilidade de um intercâmbio para Fani na Inglaterra e a partir daí a personagem começa a pensar como sentirá falta de seu amado professor e de seus dois melhores amigos Gabi e Léo, principalmente depois que o Léo começou a agir tão esquisito quando soube da futura viagem de Fani.

É um livro muito lindinho que descreve MUITO BEM como é a cabeça de uma adolescente de 16 anos, pelo menos eu pude me identificar bastante com os sentimentos confusos de Fani e acredito que se tivesse lido esse livro enquanto ainda estava no meu Ensino Médio ele teria inevitavelmente entrado para a lista es favoritos. Entretanto, não pude evitar de me sentir um pouco deslocada desde o início do livro, pois achei que a escritora Paula Pimenta direcionou seu livro muito mais para o público infantil do que eu imaginava. Me incomodou bastante a quantidade de orações curtíssimas – algo característico em livros muito infantis – assim como o vocabulário também era muito mais simples do que eu esperava. A leitura me lembrou bastante de outros livros brasileiros que eu lia quando era mais nova, especialmente a série Poderosa, de Sérgio Klein, pois achei a escrita parecida.

Livro recomendadíssimo para quem tem alguma prima/irmã/sobrinha de 12-16 anos para presentear ou para quem quiser relembrar as anedotas típicas da sua adolescência.

Nota 2/5

O Coração das Trevas, de Joseph Conrad

Título Original: Heart Of Darkness
Autor: Joseh Conrad
Editora: Martin Claret
Páginas: 117
Lançamento: 1899

Falar sobre O Coração das Trevas é um grande desafio e com certeza o maior que eu já tive até agora. Apesar de seu vocabulário fácil, sua pequena extensão e seu ritmo constante, engana-se quem pensa tratar de um livro de fácil compreensão. Cada linha dessa obra possui tantas metáforas e relações que as interpretações possibilitadas por elas são inesgotáveis, uma verdadeira fonte de produção de conhecimento para os acadêmicos!

O livro se passa no Congo durante a época do colonialismo e descreve a jornada de Marlow nas expedições em busca de marfim.
Mostrando sua percepção do imperialismo, Marlow aborda as imagens dos negros escravizados, dos canibais selvagens e dos brancos imperialistas através de um viés bastante crítico e de personagens marcantes. O que torna a leitura muito rica são justamente as imagens escondidas nas entrelinhas do livro, aquelas que não vem entregues de bandeja para você, mas que requerem uma capacidade de análise maior para serem percebidas.
A principal dessas imagens é a mesma que aparece no título da obra: escuridão. Várias ações do livro acontecem em lugares bem escuros, iluminados apenas pelo reflexo da lua no mar ou na neblina da noite, e essas palavras ‘luz’ e ‘escuridão’ aparecem ao longo da narrativa nas mais variadas situações, reforçando a importância desses dois conceitos para o entendimento da obra. Outro fator muito interessante no livro é a história dentro da história: Marlow está contando suas aventuras para o narrador do livro, que escuta tudo e passa adiante para o leitor do Coração das Trevas.

Assim que terminei de ler o livro, não consegui dizer exatamente se tinha gostado ou não, pois não tinha sido capaz de compreender todos os pormenores da narrativa. Entretanto, após a leitura de alguns ensaios críticos sobre a obra, descobri como Joseph Conrad realmente não pode ser subestimado. Tenho certeza que Conrad ainda será lido por muitos e muitos anos, pois a metáfora da condição humana de que trata é uma verdade inerente ao homem pertencente a qualquer época histórica.

Infelizmente não considero O Coração das Trevas um livro para todos os gostos, pois, apesar de sua atemporalidade, ele fala sobre questões de dominação social e cultural e quem não se interessar por esse assunto simplesmente não vai gostar da obra. O que é indiscutível aqui é que Conrad realiza com maestria ao que se propõe e se essa é a temática que você procura, não há como se desapontar.

Nota: 5/5