Série Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

Depois de muito tentar resistir, finalmente cedi às tentações de Suzanne Collins e em cerca de 5 dias eu já havia lido todos os livros da série Jogos Vorazes. Simplesmente não consegui desgrudar meus dedos das páginas desses livros enquanto não soubesse o final da história. Depois de 5 dias muito conturbados de intensas emoções e muitas lágrimas foi com dor no coração que cheguei ao fim dessa saga. A resenha que se segue trata de toda a série de Jogos Vorazes e é direcionada para aqueles que já leram todos os livros, então se você não leu ao menos o primeiro, provavelmente terá alguns (muitos) spoilers abaixo.

Enfim, vamos ao que interessa:

Todo mundo que conhece a série sabe que se trata de uma história que fala por si só. Como não ficar no mínimo impressionado com uma história onde crianças são mandadas para lutar até a morte num programa televisionado para o divertimento de moradores da Capital? Como imaginar um mundo onde algo tão grotesco possa acontecer e as pessoas simplesmente assistem seus filhos morrendo pela TV? Suzanne Collins criou uma história que pelo menos chama a atenção de muita gente, mas Jogos Vorazes ainda consegue ser muito mais do que apenas uma ideia brilhante. De qualquer forma, sei que já deve estar cheio de resenhas por aí tentando explicar a genialidade dessa obra toda, mas eu não quero me focar na história, porque se fosse, não teria nada a dizer que não fossem elogios.

Minha relação com a série é definitivamente de amor e ódio. Isso se deve ao fato de que ao mesmo tempo que eu amei de paixão a saga, eu odiei com todas as forças a Katniss, que é nada mais nada menos do que a personagem principal. Então como gostar tanto assim da série? Nem eu mesma sei explicar. Acho que meu ódio pela personagem inclusive contribuiu com minha fascinação pelos livros, porque à medida em que eu ia lendo, eu ia me perguntando como Suzanne Collins estava fazendo isso comigo. Foi uma experiência que eu nunca tive antes.

Desde o primeiro livro a personalidade da Katniss me lembrou demais a da Mia Thermópolis de O Diário da Princesa, então quem conhece a Mia já deve ter entendido do que eu estou falando. Primeiro de tudo que não é uma personalidade muito inovadora para se dar a uma personagem de livro YA, já perdi a conta de quantas vezes eu li por aí sobre meninas que eram lindas, cheia de virtudes e tinham todos os homens aos seus pés, mas ficavam lá se lamentando sobre como eram sem qualidades e iam morrer virgem. Tudo bem que eu posso estar exagerando, mas a Katniss com certeza capta pelo menos a essência dessa ideia. Algumas coisas simplesmente não convencem! Como que a Katniss demorou os Jogos Vorazes inteiro terminar para perceber que o Peeta não estava encenando seu amor??? Quando um menino lembra com detalhes da primeira vez em que te viu na vida com 5 anos de idade cantando uma música, nem ganhando prêmio de pessoa mais tapada e lerda do mundo você não percebe uma coisa dessas!

Além disso, que pra mim já é motivo suficiente para considerar Katniss mentalmente incapaz, a menina simplesmente se torna o símbolo da revolução de um país inteiro e não sabe como isso foi acontecer? Porque você precisa ser muito mais do que uma pessoa excepcional para ter milhares de outras pessoas dispostas a morrer por você, mas não a Katniss (na cabeça dela, pelo menos). Ela nunca teve a menor intenção em criar uma revolução quando sugeriu o suicídio duplo, tudo que ela queria era fugir com sua família e a família de Gale e deixar o resto do mundo pra lá e ela ainda precisou de muita reflexão para aceitar o papel de ser o Tordo! E mesmo depois dela ter levantado a bandeira da revolução e entrando na guerra para matar ou morrer, mesmo depois de ver praticamente todos aqueles que ela mais amava na vida morrerem “por ela”, ela ainda (mesmo que por algum instante) vota a favor de uma nova edição de Jogos Vorazes feita com os filhos dos moradores da Capital?

Não, eu simplesmente não engulo nada disso. Sei que muita gente não vai concordar comigo, mas veja bem, eu amo essa série tanto quanto você, apesar da Katniss simplesmente não me convencer nem um pouquinho e nem por um segundo. Acho que o verdadeiro personagem que me cativou foi o Peeta, que com certeza ganhou o título de um dos meus personagens favoritos e que com certeza, se eu fosse a Katniss, não levaria mais de um minto para me apaixonar por ele.

Em geral, a série me lembrou demais O Germinal, apesar de ser um gênero completamente diferente, acho que a degradação dos moradores nas minas, o sentimento de revolta, de humilhação e subjugação foi muito bem descrito nas duas obras e há profundas reflexões filosóficas por detrás de Jogos Vorazes. Eu tive a impressão de que a autora quis passar — apesar do final esperançoso — que a “humanidade é podre”. Exatamente com essas palavras. Eu enxerguei muito que Collins quis sugerir uma eterna repetição de ciclos, onde o mais forte sempre tentará subjugar o mais fraco e depois que o mais fraco se revoltar e se tornar o mais forte, ele repetirá o ciclo. Pelo menos eu acho que essa ficou sendo a visão (um tanto pessimista) da Katniss e por isso ela precisa estar perto de alguém como o Peeta, “o dente-de leão da primavera” que acredita que as coisas possam ter um final feliz.

Nota: 4/5

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4 pensamentos sobre “Série Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

  1. Pingback: TAG: Sete Pecados Capitais da Leitura | Quod Scripsi, Scripsi!

  2. Fico feliz em ver que alguém compartilha minha opinião sobre esta coleção! A maioria das pessoas que leram a trilogia – principalmente os jovens – tem uma tendência a supervaloriza-la. Não estou dizendo que os livros sejam ruins, mas sim que há pontos fracos, como o caso da personagem principal não agradar (pelo menos nós duas). Infelizmente, apesar de achar a ideia da história dos três livros extremamente inteligente e crítica (incluindo as reviravoltas do livro final), não consegui gostar da Katniss e de muitos pontos da própria narrativa. Admito que também li todos os três em uma média de uns cinco dias, mas ao concluir entrei num status ‘confusa’. Digo, eu admito todos os prós das obras, mas elas não conseguiram me gerar todo o apego que eu esperava deles. Vai entender? haha
    Adorei a resenha! Abraço!

    • Exatamente! É muuito confuso você gostar de um livro em que você simplesmente não suporta a personagem principal! Eu também fiquei bastante em dúvida depois que eu terminei de ler a série sobre o que eu realmente tinha achado de tudo, mas enquanto eu estava lendo eu simplesmente não conseguia largar o livro até saber exatamente como acabava. Pelo menos o Peeta compensou haha
      Fico muito feliz por ter gostado da resenha (: volte sempre!

      • Livros, livros, nos deixando confusos desde sempre! Peeta é realmente apaixonante (mas um pra alimentar meu lado fangirl) e pode deixar que volto sim. :)

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