La S7ptima M, de Francisca Solar

Título Original: La S7ptima M
Autor: Francisca Solar
Editora: Montena
Páginas: 276
Lançamento: 2006

É com muita alegria que eu venho aqui resenhar meu primeiro livro lido em Espanhol! E eu comecei bem, porque a Francisca Solar é uma das escritoras chilenas mais promissoras da atualidade, que se tornou famosa após a publicação de sua fanfic do sexto livro da saga Harry Potter, chamado El Ocaso de los Altos Elfos, que atingiu milhares de leitores em todo o mundo e chegou a ser traduzido para o inglês e italiano. Depois do sucesso com a fanfic, Solar foi contratada para deixar um pouco de lado os personagens da J. K. Rowling e escrever sua própria série. La S7ptima M é o primeiro livro dessa série que atualmente se encontra em seu segundo volume com El Hadas de Las Cadenas.

Antes de tudo La S7ptima M não é mais um livro de fantasia como Harry Potter e sim um livro de suspense e ficção científica, duas coisas que me fazem escolher imediatamente um livro pra ler! O livro conta a história de Sophie Deutiers, uma perito forense e tanatóloga que é contratada para trabalhar num misterioso e altamente confidencial caso do suicídio de 5 jovens em Puerto Fake, um povoado minúsculo do Chile praticamente ignorado pelo governo chileno e composto inteiramente por estrangeiros alemães rancorosos. Acompanhando Sophie nessa investigação está o detetive policial mais insuportável da história MARCO FELICIANO (nome muito sugestivo) e Cal, o amigo fotógrafo e hacker de Sophie muito conhecido e julgado por ter criado o site Ad Rotem, dedicado exclusivamente para postagem de fotos de corpos mortos (quanto mais bizarra a morte, maior o ibope).

Chegando em Puerto Fake, os três investigadores descobrem que o caso é muito mais misterioso do que aparentava e que precisam lidar com a hostilidade de todos os moradores da cidade ao mesmo tempo em que tentam explicar o aparente medo que todos esses estrangeiros têm do Sol e porque as janelas de todas as casas que dão para o leste são lacradas. O livro inteiro é permeado de referência à série Arquivo X (The X-Files) e inclusive o próprio mistério que ronda Puerto Fake é digno de um episódio da série já que possui os mesmos elementos de suspense sobrenatural.

O tempo todo em que li o livro não conseguia de maneira alguma pensar num final possível para a trama, o que me agradou bastante. Outro ponto que achei muito positivo foi o quanto esse livro me lembrou O Anjo da Morte, da série Os Karas de Pedro Bandeira, a melhor série que eu li na infância. A ausência de romance no livro também me agradou, pois são raros os livros que focam num bom enredo sem sentir a necessidade de colocar sempre um caso amoroso em algum lugar, mas acredito que com certeza isso deverá acontecer nos próximos livros da série.

Se você procura um bom livro juvenil de suspense estilo Os Karas, com certeza não se decepcionará com La S7ptima M!

Nota: 4/5

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Fazendo Meu Filme 1, de Paula Pimenta

Autora: Paula Pimenta
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
Lançamento: 2009

Comecei a ler essa série depois de ter visto tantas resenhas positivas sobre ela nos meus blogs favoritos e cometi o maior erro de todos: abri o livro com as maiores expectativas que eu poderia ter! Isso foi péssimo, porque não importa o quão boa foi a série, ela simplesmente não alcançou as expectativas geradas e eu não consegui evitar de terminá-la um pouco desapontada…

A Estreia de Fani é o primeiro livro da série já terminada Fazendo Meu Filme da autora mineira Paula Pimenta e narra a história de Fani, uma adolescente de 16 anos completamente apaixonada por filmes e DVDs e por seu lindo professor de Biologia. De repente, surge a possibilidade de um intercâmbio para Fani na Inglaterra e a partir daí a personagem começa a pensar como sentirá falta de seu amado professor e de seus dois melhores amigos Gabi e Léo, principalmente depois que o Léo começou a agir tão esquisito quando soube da futura viagem de Fani.

É um livro muito lindinho que descreve MUITO BEM como é a cabeça de uma adolescente de 16 anos, pelo menos eu pude me identificar bastante com os sentimentos confusos de Fani e acredito que se tivesse lido esse livro enquanto ainda estava no meu Ensino Médio ele teria inevitavelmente entrado para a lista es favoritos. Entretanto, não pude evitar de me sentir um pouco deslocada desde o início do livro, pois achei que a escritora Paula Pimenta direcionou seu livro muito mais para o público infantil do que eu imaginava. Me incomodou bastante a quantidade de orações curtíssimas – algo característico em livros muito infantis – assim como o vocabulário também era muito mais simples do que eu esperava. A leitura me lembrou bastante de outros livros brasileiros que eu lia quando era mais nova, especialmente a série Poderosa, de Sérgio Klein, pois achei a escrita parecida.

Livro recomendadíssimo para quem tem alguma prima/irmã/sobrinha de 12-16 anos para presentear ou para quem quiser relembrar as anedotas típicas da sua adolescência.

Nota 2/5

O Coração das Trevas, de Joseph Conrad

Título Original: Heart Of Darkness
Autor: Joseh Conrad
Editora: Martin Claret
Páginas: 117
Lançamento: 1899

Falar sobre O Coração das Trevas é um grande desafio e com certeza o maior que eu já tive até agora. Apesar de seu vocabulário fácil, sua pequena extensão e seu ritmo constante, engana-se quem pensa tratar de um livro de fácil compreensão. Cada linha dessa obra possui tantas metáforas e relações que as interpretações possibilitadas por elas são inesgotáveis, uma verdadeira fonte de produção de conhecimento para os acadêmicos!

O livro se passa no Congo durante a época do colonialismo e descreve a jornada de Marlow nas expedições em busca de marfim.
Mostrando sua percepção do imperialismo, Marlow aborda as imagens dos negros escravizados, dos canibais selvagens e dos brancos imperialistas através de um viés bastante crítico e de personagens marcantes. O que torna a leitura muito rica são justamente as imagens escondidas nas entrelinhas do livro, aquelas que não vem entregues de bandeja para você, mas que requerem uma capacidade de análise maior para serem percebidas.
A principal dessas imagens é a mesma que aparece no título da obra: escuridão. Várias ações do livro acontecem em lugares bem escuros, iluminados apenas pelo reflexo da lua no mar ou na neblina da noite, e essas palavras ‘luz’ e ‘escuridão’ aparecem ao longo da narrativa nas mais variadas situações, reforçando a importância desses dois conceitos para o entendimento da obra. Outro fator muito interessante no livro é a história dentro da história: Marlow está contando suas aventuras para o narrador do livro, que escuta tudo e passa adiante para o leitor do Coração das Trevas.

Assim que terminei de ler o livro, não consegui dizer exatamente se tinha gostado ou não, pois não tinha sido capaz de compreender todos os pormenores da narrativa. Entretanto, após a leitura de alguns ensaios críticos sobre a obra, descobri como Joseph Conrad realmente não pode ser subestimado. Tenho certeza que Conrad ainda será lido por muitos e muitos anos, pois a metáfora da condição humana de que trata é uma verdade inerente ao homem pertencente a qualquer época histórica.

Infelizmente não considero O Coração das Trevas um livro para todos os gostos, pois, apesar de sua atemporalidade, ele fala sobre questões de dominação social e cultural e quem não se interessar por esse assunto simplesmente não vai gostar da obra. O que é indiscutível aqui é que Conrad realiza com maestria ao que se propõe e se essa é a temática que você procura, não há como se desapontar.

Nota: 5/5

Um Breve Passeio Pelo Romantismo Brasileiro Pt 1

Nesse post intitulado “Um Breve Passeio Pelo Romantismo Brasileiro” pretendo fazer três breves resenhas de obras românticas: O Garimpeiro (1872), de Bernardo Guimarães  Memórias de Um Sargento de Milícias (1854), de Manuel Antônio de Almeida  e  Lucinda, a Mucama (1869), In: Vítimas Algozes, de Joaquim Manuel de Macedo.

1.  Memórias de um Sargento de Milícias

Essa obra muito desagradou o público na época em que foi escrita, pois fugia bastante dos padrões românticos os quais os leitores estavam acostumados. Memórias de Um Sargento de Milícias, apesar de ter sido um dos primeiros livros românticos do Brasil, na verdade se enquadra melhor numa categoria de transição entre o Romantismo e o Realismo e só virou sucesso anos depois de sua publicação. O livro acompanha a história de Leonardo, um rapaz vadio que nunca quis nada da vida, o completo oposto dos heróis românticos. Apesar de nunca ‘tomar jeito’, Leonardo acaba se dando bem simplesmente por ter sorte — é realmente uma daquelas histórias em que o rapaz não tem nenhuma qualidade que o destaque dos demais, mas sempre consegue dar seu jeitinho nas coisas. Apesar de tantas características opostas ao Romantismo, a obra ainda agrega algumas semelhanças, como por exemplo um final feliz, onde o anti-herói se casa com o seu primeiro amor (uma menina nada bonita por sinal) e são felizes para sempre.
A obra possui uma narrativa muito fluida e um de seus maiores méritos, na minha opinião é o que Italo Calvino chama de “Rapidez”. Tem a ver com o ritmo dos acontecimentos na obra, que não perde tempo com digressões ou devaneios psicológicos dos personagens, fazendo com que a cada capítulo (que não tinham mais de 1 página) algum novo acontecimento surja, dando um ritmo constante onde você NUNCA fica com a sensação de que a obra está “parada” ou enrolando demais.

2. Lucinda, a Mucama, In Vítimas Algozes 

A leitura desse conto de Joaquim Manoel Macedo me despertou muitos questionamentos. Através de uma leitura fluida, super fácil e tranquila e com tantos personagens cativantes, Macedo narra uma história enfocando no problema da escravidão do país. O grande problema é que para Joaquim Manoel Macedo, “o grande problema da escravidão do país” é outro. Sem dúvida, estamos diante de um livro abolicionista, mas se engana quem pensa tratar de um livro que abraça questões humanitárias. Aqui, se faz necessária a abolição da escravatura justamente para manter os negros bem distantes, pois a influência negra no dia-a-dia dos brancos causa a perversão e a desmoralização branca.
O título Vítimas Algozes é mencionado inúmeras vezes ao longo da obra, pois o seu objetivo é provar que os negros, apesar de “vítimas” da escravidão, são também “algozes” pelo prejuízo que causam aos brancos. Já os brancos, por sua vez, são “algozes” por conceberem a escravidão, mas se tornaram “vítimas” da má influência dos negros. Enfim, só a existência de algum livro para tais fins já causa muito horror na minha cabeça e foi muito difícil realmente acreditar que essa era a intenção de Macedo, eu ficava torcendo pra no final ser tudo uma grande ironia, mas infelizmente é exatamente isso mesmo que ele pensa. Apesar disso, é um livro muito bem escrito e como já dito anteriormente, com personagens bem interessantes e tipicamente românticos: uma donzela que precisa ser salva por um mocinho das garras bandidas de um bonito vilão e de uma negra perversa. O herói dessa narrativa me cativou em especial, pois ele realmente reúne em si todas as características nobres de um homem e acredito que não tem como não terminar o conto pelo menos um pouco apaixonada por esse mocinho!
Acho a leitura da obra altamente recomendável para quem tiver senso crítico e interesse pelo Romantismo Brasileiro, pois é um livro bem característico da época e de um pensamento que com certeza retratava uma parte da sociedade naquele momento e por isso não pode ser ignorado. Muito interessante para estudos acadêmicos.

3. O Garimpeiro

Sem dúvida O Garimpeiro foi o livro que mais me surpreendeu. Comecei a ler com as expectativas mais baixas que eu poderia ter, pois a única coisa que eu sabia da obra antes de lê-la era que havia grandes descrições sobre os garimpos de Minas Gerais e eu não costumo gostar nenhum pouco de livros que se perdem em páginas de narrativas sobre paisagens e demoram para contar a história propriamente dita. Felizmente, O Garimpeiro não era nada daquilo que eu esperava e narra a história de um casal de amantes que não podem ficar juntos devido à falta de dinheiro do rapaz. Com o coração despedaçado, o jovem Elias promete a sua amada Lúcia que sairia para tentar a vida nos garimpos e dentro de 1 ano retornaria com dinheiro suficiente para poderem se casar. Enquanto esperava, o pai de Lúcia confessa à filha que a família está na falência e implora que a menina se case então com o rico Leonel para salvar o futuro de todos das garras da pobreza. Em torno disso a trama se desenvolve de uma maneira que muito me agradou, pois o desfecho não foi tão óbvio quanto a maioria dos livros românticos costumam ser e cada pormenor da trama foi muito bem conectado; nenhum personagem aparecia por acaso. Acho que todas as meninas que adoram um chick-lit, amariam a leitura do Garimpeiro, uma bela história de amor para ler em um momento de lazer, com grandes personagens e, apesar de haver sim descrições de paisagens que eu cortaria, elas não são nem de longe tão extensas quanto eu pensei que seriam.

Série Jogos Vorazes, de Suzanne Collins

Depois de muito tentar resistir, finalmente cedi às tentações de Suzanne Collins e em cerca de 5 dias eu já havia lido todos os livros da série Jogos Vorazes. Simplesmente não consegui desgrudar meus dedos das páginas desses livros enquanto não soubesse o final da história. Depois de 5 dias muito conturbados de intensas emoções e muitas lágrimas foi com dor no coração que cheguei ao fim dessa saga. A resenha que se segue trata de toda a série de Jogos Vorazes e é direcionada para aqueles que já leram todos os livros, então se você não leu ao menos o primeiro, provavelmente terá alguns (muitos) spoilers abaixo.

Enfim, vamos ao que interessa:

Todo mundo que conhece a série sabe que se trata de uma história que fala por si só. Como não ficar no mínimo impressionado com uma história onde crianças são mandadas para lutar até a morte num programa televisionado para o divertimento de moradores da Capital? Como imaginar um mundo onde algo tão grotesco possa acontecer e as pessoas simplesmente assistem seus filhos morrendo pela TV? Suzanne Collins criou uma história que pelo menos chama a atenção de muita gente, mas Jogos Vorazes ainda consegue ser muito mais do que apenas uma ideia brilhante. De qualquer forma, sei que já deve estar cheio de resenhas por aí tentando explicar a genialidade dessa obra toda, mas eu não quero me focar na história, porque se fosse, não teria nada a dizer que não fossem elogios.

Minha relação com a série é definitivamente de amor e ódio. Isso se deve ao fato de que ao mesmo tempo que eu amei de paixão a saga, eu odiei com todas as forças a Katniss, que é nada mais nada menos do que a personagem principal. Então como gostar tanto assim da série? Nem eu mesma sei explicar. Acho que meu ódio pela personagem inclusive contribuiu com minha fascinação pelos livros, porque à medida em que eu ia lendo, eu ia me perguntando como Suzanne Collins estava fazendo isso comigo. Foi uma experiência que eu nunca tive antes.

Desde o primeiro livro a personalidade da Katniss me lembrou demais a da Mia Thermópolis de O Diário da Princesa, então quem conhece a Mia já deve ter entendido do que eu estou falando. Primeiro de tudo que não é uma personalidade muito inovadora para se dar a uma personagem de livro YA, já perdi a conta de quantas vezes eu li por aí sobre meninas que eram lindas, cheia de virtudes e tinham todos os homens aos seus pés, mas ficavam lá se lamentando sobre como eram sem qualidades e iam morrer virgem. Tudo bem que eu posso estar exagerando, mas a Katniss com certeza capta pelo menos a essência dessa ideia. Algumas coisas simplesmente não convencem! Como que a Katniss demorou os Jogos Vorazes inteiro terminar para perceber que o Peeta não estava encenando seu amor??? Quando um menino lembra com detalhes da primeira vez em que te viu na vida com 5 anos de idade cantando uma música, nem ganhando prêmio de pessoa mais tapada e lerda do mundo você não percebe uma coisa dessas!

Além disso, que pra mim já é motivo suficiente para considerar Katniss mentalmente incapaz, a menina simplesmente se torna o símbolo da revolução de um país inteiro e não sabe como isso foi acontecer? Porque você precisa ser muito mais do que uma pessoa excepcional para ter milhares de outras pessoas dispostas a morrer por você, mas não a Katniss (na cabeça dela, pelo menos). Ela nunca teve a menor intenção em criar uma revolução quando sugeriu o suicídio duplo, tudo que ela queria era fugir com sua família e a família de Gale e deixar o resto do mundo pra lá e ela ainda precisou de muita reflexão para aceitar o papel de ser o Tordo! E mesmo depois dela ter levantado a bandeira da revolução e entrando na guerra para matar ou morrer, mesmo depois de ver praticamente todos aqueles que ela mais amava na vida morrerem “por ela”, ela ainda (mesmo que por algum instante) vota a favor de uma nova edição de Jogos Vorazes feita com os filhos dos moradores da Capital?

Não, eu simplesmente não engulo nada disso. Sei que muita gente não vai concordar comigo, mas veja bem, eu amo essa série tanto quanto você, apesar da Katniss simplesmente não me convencer nem um pouquinho e nem por um segundo. Acho que o verdadeiro personagem que me cativou foi o Peeta, que com certeza ganhou o título de um dos meus personagens favoritos e que com certeza, se eu fosse a Katniss, não levaria mais de um minto para me apaixonar por ele.

Em geral, a série me lembrou demais O Germinal, apesar de ser um gênero completamente diferente, acho que a degradação dos moradores nas minas, o sentimento de revolta, de humilhação e subjugação foi muito bem descrito nas duas obras e há profundas reflexões filosóficas por detrás de Jogos Vorazes. Eu tive a impressão de que a autora quis passar — apesar do final esperançoso — que a “humanidade é podre”. Exatamente com essas palavras. Eu enxerguei muito que Collins quis sugerir uma eterna repetição de ciclos, onde o mais forte sempre tentará subjugar o mais fraco e depois que o mais fraco se revoltar e se tornar o mais forte, ele repetirá o ciclo. Pelo menos eu acho que essa ficou sendo a visão (um tanto pessimista) da Katniss e por isso ela precisa estar perto de alguém como o Peeta, “o dente-de leão da primavera” que acredita que as coisas possam ter um final feliz.

Nota: 4/5

Resgate no Mar #DL 2013

Título Original: Rescue Ferrets at Sea
Autor: Richard Bach
Editora: Arx
Páginas: 156
Lançamento: 2002

Posso afirmar que cresci ouvindo as histórias de Richard Bach e, apesar de na época não conseguir compreender a profunda filosofia que existia por trás de cada uma dessas aventuras, sempre foram histórias muito agradáveis de se ouvir e capazes de despertar a imaginação de qualquer criança. Hoje, não tenho dúvidas que também meus filhos crescerão ouvindo o que esse grande escritor tem para nos contar.

Bach é um escritor estadunidense que foi piloto da Força Aérea e isso muito influenciou em suas obras, pois a presença do voo é constante. O diferencial aqui está em que tipo de voo é esse que estamos falando, pois a obra de Bach é uma obra para o espírito. Se o seu plano for ler uma história de ficção sem nenhuma grande reflexão filosófica e espiritual por trás, pode esquecer Bach e procurar outro livro para ler. Nas palavras do próprio autor, “voar é minha religião, é a maneira que tenho de descobrir a verdade”. Pessoalmente, essa ideia muito me agrada e sou convicta de que Bach é um homem iluminado, com muitos ensinamentos a dar e cada um de seus livros é uma oportunidade de crescimento pessoal.

Contextualizações à parte, Resgate no Mar  não é nenhum Fernão Capelo Gaivota,  mas com certeza também tem seu mérito. O livro conta a história de Betina Furão, uma jovem determinada a fazer parte da equipe de furões de Resgate Marítimo, uma profissão que exige um trabalho árduo e incessante. A personagem é retratada repleta de características nobres, um ser que genuinamente só deseja fazer uma coisa na vida: salvar outras vidas.  Após uma enorme e inesperada tempestade, Betina Furão se envolve num incidente terrível ao tentar salvar a vida de dezenas de animais de um naufrágio. Durante esse incidente, Betina e sua amiga Kátia Furão têm uma experiência singular de “quase-morte”. É uma história mais voltada para o público infantil e não possui tantos elementos filosóficos e com múltiplos significados como em suas outras obras, mas cada um dos animais descritos em Resgate no Mar  ilustram alguma virtude.

Após terminar o livro, descobri que ele faz parte de uma coleção de crônicas chamada “The Ferret Chronicles”, mas infelizmente Resgate no Mar  foi a única que ganhou tradução no Brasil. Acredito que nesse caso específico a leitura de apenas uma parte dessa coleção tenha prejudicado o meu entendimento do que o escritor quis mostrar e provavelmente eu tive uma visão limitada do todo. Talvez por esse mesmo motivo eu tenha sentido bastante falta de uma escrita mais profunda e mais metafórica como já é esperado de Bach e não recomendo esse livro como primeira leitura do escritor. Para aqueles que já leram e já admiram Bach, o livro só tem a acrescentar.

Sem mais delongas,

Nota: 2/5

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago #DL 2013

Resenha: O Evangelho Segundo Jesus Cristo #DL 2013Autor: José Saramago Editora: Companhia das Letras Páginas: 445 Lançamento: 1991

Eu acredito que a primeira coisa que todo mundo deve sentir assim que abre O Evangelho Segundo JC é uma total estranheza e até mesmo confusão pela linguagem em que o livro é escrita. A gente fica completamente desnorteado tentando entender onde estão os pontos, as interrogações, as aspas, os travessões, e por aí vai…

Mas depois que você consegue atravessar o primeiro capítulo (o que não é nada fácil) você vai cada vez mais se acostumando com a forma peculiar de escrita de Saramago e em questão de pouco tempo você já começa a pensar que as pontuações já não servem mais para nada, pois Saramago as tornou obsoletas!

O Evangelho Segundo Jesus Cristo faz parte do gênero de Realismo Fantástico, muito popularizado após Gabriel Garcia Marquez escrever Cem Anos de Solidão. Para mim essa foi a melhor surpresa em relação ao livro, pois posso afirmar sem dúvidas que esse é o meu gênero favorito.

Se propondo a narrar a história arquiconhecida de Jesus Cristo de uma forma completamente irreverente, José Saramago criou uma obra muito polêmica. Não tem como negar que qualquer cristão ao ler essa obra e, principalmente católico, passa por alguns sérios dilemas ao ver figuras sagradas como José e Maria sendo descritas de forma tão mundana. Me oponho de forma categórica à redução dessa obra em uma simples crítica de um ateu à Igreja Católica, pois o ESJC é de longe muito mais que isso. Por esse motivo, eu recomendo fortemente que você, cristão, deixe seus dogmas de lado para entrar nessa obra maravilhosa de Saramago e tentar pensar nela como o que ela é: uma ficção, onde José, Jesus e Maria são meros personagens.

A parte que mais me emocionou no livro é quando Jesus descobre que é filho de Deus, escolhido para ser o Messias e que o seu destino é a cruz. Jesus tenta lutar contra seu próprio destino, pois ele não quer ser responsável por todas as mortes que estão por vir depois da sua crucificação. A Inquisição, as Cruzadas… Jesus não quer ser culpado pela morte de milhares de inocentes. Maria Madalena é a pessoa que vai reconfortar Jesus. Aliás, na obra, Maria Madalena é sua fortaleza, aquela que vai dar todo o consolo necessário para que ele enfrente seu destino. Ela exerce uma influência exorbitante sobre todos os atos do Messias e o orienta em todos os momentos de dúvida. No ESJC, Saramago coloca a imagem de uma mulher prostituta como a personagem mais sábia e decisiva da trama.

No trecho abaixo, as palavras decisivas de Maria Madalena que fazem com que Jesus aceite seu destino:
“Deus é quem traça os caminhos e manda os que por eles hão-de seguir, a ti escolheu-te para que abrisses, em seu serviço, uma estrada entre as estradas (…) portanto melhor seria que aceitasses com resignação o destino que Deus já ordenou e escreveu para ti, pois todos os teus gostos estão previstos, as palavras que hás-de dizer esperam-te nos sítios aonde terás de ir, aí estarão os coxos a quem darás voz, os cegos a quem darás vistas, os surdos a quem darás ouvidos, os mudos a quem darás voz, os mortos a quem poderias dar vida.”

Em suma, esse livro ocuparia uma das 5 primeiras posições de qualquer lista sobre os livros que você precisa ler antes de morrer.
Nota 5/5