Um Breve Passeio Pelo Romantismo Brasileiro Pt 1

Nesse post intitulado “Um Breve Passeio Pelo Romantismo Brasileiro” pretendo fazer três breves resenhas de obras românticas: O Garimpeiro (1872), de Bernardo Guimarães  Memórias de Um Sargento de Milícias (1854), de Manuel Antônio de Almeida  e  Lucinda, a Mucama (1869), In: Vítimas Algozes, de Joaquim Manuel de Macedo.

1.  Memórias de um Sargento de Milícias

Essa obra muito desagradou o público na época em que foi escrita, pois fugia bastante dos padrões românticos os quais os leitores estavam acostumados. Memórias de Um Sargento de Milícias, apesar de ter sido um dos primeiros livros românticos do Brasil, na verdade se enquadra melhor numa categoria de transição entre o Romantismo e o Realismo e só virou sucesso anos depois de sua publicação. O livro acompanha a história de Leonardo, um rapaz vadio que nunca quis nada da vida, o completo oposto dos heróis românticos. Apesar de nunca ‘tomar jeito’, Leonardo acaba se dando bem simplesmente por ter sorte — é realmente uma daquelas histórias em que o rapaz não tem nenhuma qualidade que o destaque dos demais, mas sempre consegue dar seu jeitinho nas coisas. Apesar de tantas características opostas ao Romantismo, a obra ainda agrega algumas semelhanças, como por exemplo um final feliz, onde o anti-herói se casa com o seu primeiro amor (uma menina nada bonita por sinal) e são felizes para sempre.
A obra possui uma narrativa muito fluida e um de seus maiores méritos, na minha opinião é o que Italo Calvino chama de “Rapidez”. Tem a ver com o ritmo dos acontecimentos na obra, que não perde tempo com digressões ou devaneios psicológicos dos personagens, fazendo com que a cada capítulo (que não tinham mais de 1 página) algum novo acontecimento surja, dando um ritmo constante onde você NUNCA fica com a sensação de que a obra está “parada” ou enrolando demais.

2. Lucinda, a Mucama, In Vítimas Algozes 

A leitura desse conto de Joaquim Manoel Macedo me despertou muitos questionamentos. Através de uma leitura fluida, super fácil e tranquila e com tantos personagens cativantes, Macedo narra uma história enfocando no problema da escravidão do país. O grande problema é que para Joaquim Manoel Macedo, “o grande problema da escravidão do país” é outro. Sem dúvida, estamos diante de um livro abolicionista, mas se engana quem pensa tratar de um livro que abraça questões humanitárias. Aqui, se faz necessária a abolição da escravatura justamente para manter os negros bem distantes, pois a influência negra no dia-a-dia dos brancos causa a perversão e a desmoralização branca.
O título Vítimas Algozes é mencionado inúmeras vezes ao longo da obra, pois o seu objetivo é provar que os negros, apesar de “vítimas” da escravidão, são também “algozes” pelo prejuízo que causam aos brancos. Já os brancos, por sua vez, são “algozes” por conceberem a escravidão, mas se tornaram “vítimas” da má influência dos negros. Enfim, só a existência de algum livro para tais fins já causa muito horror na minha cabeça e foi muito difícil realmente acreditar que essa era a intenção de Macedo, eu ficava torcendo pra no final ser tudo uma grande ironia, mas infelizmente é exatamente isso mesmo que ele pensa. Apesar disso, é um livro muito bem escrito e como já dito anteriormente, com personagens bem interessantes e tipicamente românticos: uma donzela que precisa ser salva por um mocinho das garras bandidas de um bonito vilão e de uma negra perversa. O herói dessa narrativa me cativou em especial, pois ele realmente reúne em si todas as características nobres de um homem e acredito que não tem como não terminar o conto pelo menos um pouco apaixonada por esse mocinho!
Acho a leitura da obra altamente recomendável para quem tiver senso crítico e interesse pelo Romantismo Brasileiro, pois é um livro bem característico da época e de um pensamento que com certeza retratava uma parte da sociedade naquele momento e por isso não pode ser ignorado. Muito interessante para estudos acadêmicos.

3. O Garimpeiro

Sem dúvida O Garimpeiro foi o livro que mais me surpreendeu. Comecei a ler com as expectativas mais baixas que eu poderia ter, pois a única coisa que eu sabia da obra antes de lê-la era que havia grandes descrições sobre os garimpos de Minas Gerais e eu não costumo gostar nenhum pouco de livros que se perdem em páginas de narrativas sobre paisagens e demoram para contar a história propriamente dita. Felizmente, O Garimpeiro não era nada daquilo que eu esperava e narra a história de um casal de amantes que não podem ficar juntos devido à falta de dinheiro do rapaz. Com o coração despedaçado, o jovem Elias promete a sua amada Lúcia que sairia para tentar a vida nos garimpos e dentro de 1 ano retornaria com dinheiro suficiente para poderem se casar. Enquanto esperava, o pai de Lúcia confessa à filha que a família está na falência e implora que a menina se case então com o rico Leonel para salvar o futuro de todos das garras da pobreza. Em torno disso a trama se desenvolve de uma maneira que muito me agradou, pois o desfecho não foi tão óbvio quanto a maioria dos livros românticos costumam ser e cada pormenor da trama foi muito bem conectado; nenhum personagem aparecia por acaso. Acho que todas as meninas que adoram um chick-lit, amariam a leitura do Garimpeiro, uma bela história de amor para ler em um momento de lazer, com grandes personagens e, apesar de haver sim descrições de paisagens que eu cortaria, elas não são nem de longe tão extensas quanto eu pensei que seriam.

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