Central da Leitura virou Blogspot!

 

Sei que muitos de vocês talvez não gostarão da novidade, mas agora o Central da Leitura será permanentemente transferido para o site http://www.centraldaleiturablog.blogspot.com e lá vocês encontrarão todos os posts que haviam aqui no wordpress e as novidades que virão por aí! Peço que todos os meus seguidores do blog possam agora me seguir através do GFC do Blogspot para continuarem recebendo as atualizações e possíveis promoções que virão por ai! Obrigado a todos que acompanhavam o blog e espero vê-los no blogspot!

Até mais (:

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O Espírito da Licienciatura

Logo nos meus primeiros meses como estudante de Letras pude notar um comportamento semelhante em alguns alunos que não eram vistos em outros. Mais tarde descobri que os alunos que exibiam esse padrão comportamental eram em sua maioria estudantes de Licenciatura e friso aqui a palavra maioria, porque de fato nenhum estudante de Bacharel está imune a essa prática, que muito mais tem a ver com a personalidade de cada um do que com seu curso ou habilitação propriamente dito. Depois de declarar essa minha constatação para outros amigos de Letras descobri também que muitos compartilhavam da mesma opinião e por isso decidi escrever esse texto.

Afinal, o que viria a ser esse Espírito da Licenciatura?
Não é raro encontrar num curso de Licenciatura estudantes que as vezes desde o Ensino Médio vêm dando aulas particulares em empresas de reforço escolar ou até mesmo de maneira independente. Quando são mais velhos também é comum encontrarmos nas aulas estudantes já formados em Pedagogia que procuram tirar um segundo diploma de Licenciatura e nesses casos já estão dando aula há um tempo considerável. Como então as pessoas que já se colocaram na posição de professor conseguem se recolocar na posição de estudante e aceitar serem dirigidos por outro professor? É nessa questão que se centra o que vim a chamar de Espirito da Licenciatura.

É muito triste quando vemos com tamanha frequência estudantes que não se enxergam mais na posição de aluno e passam a gastar o tempo da sala de aula em discussões com o professor se colocando em “pé de igualdade” com eles e iniciando todas as questões em sala com a frase “quando eu estava dando aula pro meu aluno surgiu tal duvida…” como se quisessem apenas reforçar para o resto da turma que elr já se encontra num nível diferente e acima dos demais.

Esse tipo de comportamento apenas me entristece e me preocupa sobre qual será o futuro dos professores do Brasil, pois hoje sou de opinião que uma vez que a pessoa passa a se considerar professora ela jamais consegue retornar a posição de aluno e são essas mesmas pessoas que se tornarão os professores que costumávamos detestar no nosso Ensino Médio por serem autoritários e muitas vezes abusarem do poder. Esses serão aqueles mesmos professores que precisam sentir que os alunos dependem deles para tudo, ao invés de entender que a função do professor é justamente dar as ferramentas para o aluno se tornar independente.

A auto-identificação com o papel de “professor” agrega muito poder para si e gera uma incapacidade de reconhecer um erro ou assumir que ainda estamos em processo de aprendizagem, pois quem se sente “professor” acha que o processo de aprendizagem já está completo. É a mesma questão do instinto formativo versus instinto conservativo de Bachelard. Quem se auto-identifica como professor já entrou no instinto conservativo há tempos!

Quero que fique claro aqui que eu não estou de forma alguma afirmando que todos os estudantes de licenciatura se transformarão automaticamente em maus professores no futuro, pois dessa maneira eu estaria afirmando que nós não temos professores competentes hoje no Brasil, uma vez que todo professor é automaticamente formado em licenciatura, mas sabemos que isso não é de nenhum modo verdade já que temos profissionais brilhantes na área. O que estou querendo concluir aqui é que esses profissionais brilhantes que falei (esses que cada estudante de licenciatura deveria aspirar se tornar) nunca deixaram de ser estudantes, nunca pararam de aprender e nunca se auto-identificaram com essa figura de poder do “professor”, pois ele permaneceu estudante a vida inteira (ou pelo menos enquanto durou sua vida profissional). E esses professores, apesar de licenciados, conseguiram se tornar isentos do “Espírito da Licenciatura“!

É isso que eu desejo para todos os estudantes universitários do Brasil, sejam eles bacharelandos ou licenciandos: se libertem do “Espírito da Licenciatura“, se libertem do instinto conservativo