O Sol É Para Todos, de Harper Lee #DL 2013

Autora: Harper Lee
Título Original: To Kill a Mockingbird
Editora: José Olympio
Páginas: 363
Lançamento: 1960
Tema do Mês de Maio DL 2013: Livros Citados em Filmes
Filme Onde o Livro É Citado: As Vantagens de Ser Invisível (The Perks Of Being a Wallflower)

” – Mas se só existe um tipo de gente por que é que eles não se entendem? Se são todos iguais, então por que se desprezam tanto?

O Sol É Para Todos é atualmente considerado um clássico da literatura estadunidense por retratar de forma muito realista a questão do preconceito racial vivida durante a década de 30 nos Estados Unidos.
A trama se desenvolve na pequena e fictícia cidade de Maycomb, localizada nos sul dos EUA e é contada através dos olhos inocentes da pequena Scout, uma menininha de 6 anos muito questionadora, que passa a observar ao lado de seu irmão Jem e de seu amigo Dill, algumas das contradições que existiam naquela sociedade que os cercavam.

O livro é dividido em duas partes: a primeira relaciona-se com o grande mistério que rodeia um dos vizinhos de Scout, o misterioso Boo Radley, que estava trancado dentro de casa há 25 anos e acabou se transformando na obsessão das pequenas crianças que desejavam um dia conseguir dar uma boa olhada na figura.
A segunda parte do livro é a que possui os maiores conflitos da trama e que gira em torno do negro Tom Robson, que está sendo julgado pelo estupro de uma branca. Quem se torna o advogado de defesa do negro é Atticus, o pai de Scout, e imediatamente toda a sua família se torna vítima da intolerância da cidade de Maycomb, que não aceita o fato de um negro receber uma defesa justa, independente ou não de todos saberem que ele possa ser de fato inocente.

É nessa parte do livro que a inocência das crianças se torna um dos temas centrais do livro, pois as únicas pessoas que realmente são capazes de se emocionar e chorar diante da injustiça social são as crianças. E quando os adultos percebem a emoção das crianças, a única coisa que eles se limitam a dizer é: “O instinto dele ainda não foi reprimido. Mas deixe-o crescer um pouco mais, e ele não se sentirá mal, nem chorará” (p.259), ou então: “Já fizeram isto antes, fizeram esta noite e farão outra vez, e quando isso acontece… parece que apenas as crianças choram” (p. 274).
Maycomb parece ser uma cidade formada por pessoas hipócritas e que nem se esforçam para disfarçar. Uma cidade onde a tradição familiar é o maior valor que uma pessoa pode ter e onde os brancos não se misturam com os negros, nem com os caipiras, nem com os pobres.

“Jem, como é que alguém pode detestar tanto Hitler e ao mesmo tempo ser ruim com gente daqui mesmo, hem?” [Scout perguntando sobre sua professora que se indignava com o nazismo anti-semita, mas odiava todos os negros].
Esse é o tipo de questionamento que na minha opinião envolve algo que começa a explicar o título original do livro “To Kill A Mockingbird”. No livro, há uma breve passagem onde Atticus ensina aos filhos sobre o grande pecado matar um Mockingbird, pois eles não fazem nada além de cantar para alegrar a vida dos humanos. Vi algumas resenhas por ai que comparam Boo Radley e Tom Robson com os mockingbirds, pois eles são pessoas inocentes atacadas pela sociedade em que se encontram somente por serem incompreendidos.
Já no meu ponto de vista, quem realmente é ‘um mockingbird’ são as crianças da obra. Elas não fazem nada além de serem  ingênuas, mas essa ingenuidade ou pureza tende a ser totalmente destruída com o passar do tempo, pervertida pela sociedade. Há quem diga que o final do livro é cheio de esperanças e fé em que um dia a sociedade se modificará e os preconceitos deixarão de existir, mas penso que essa fagulha de esperança que o livro deixa é bem pequena. Na verdade, tendo a crer justamente no contrario: que O Sol É Para Todos é um livro onde a sociedade perverte a inocência das crianças e não importa quantos inocentes ainda morrerão injustamente, pois isso continuará acontecendo pelo menos por um bom tempo já que a mudança acontece em um ritmo muito lento.

No mais, é um livro Bom.  Indispensável para quem busca entender a mentalidade na qual se encontrava os Estados Unidos de 30 e para quem se interessa sobre a temática de desigualdade social. Senti falta apenas de que a autora se desprendesse mais dos fatores autobiográficos e desse um final melhor, pois me desapontou um pouco a maneira como o livro acabou. Também parece que algumas pessoas comparam a obra com Dom Casmurro, já que as duas obras são de leitura obrigatória para os estudantes de Ensino Médio de seus países e acho tal comparação nem de longe aceitável. Repito: o livro é bom. Mas daí a compararem Harper Lee com Machado de Assis, me sinto até ofendida!

Nota: 3/5

Resgate no Mar #DL 2013

Título Original: Rescue Ferrets at Sea
Autor: Richard Bach
Editora: Arx
Páginas: 156
Lançamento: 2002

Posso afirmar que cresci ouvindo as histórias de Richard Bach e, apesar de na época não conseguir compreender a profunda filosofia que existia por trás de cada uma dessas aventuras, sempre foram histórias muito agradáveis de se ouvir e capazes de despertar a imaginação de qualquer criança. Hoje, não tenho dúvidas que também meus filhos crescerão ouvindo o que esse grande escritor tem para nos contar.

Bach é um escritor estadunidense que foi piloto da Força Aérea e isso muito influenciou em suas obras, pois a presença do voo é constante. O diferencial aqui está em que tipo de voo é esse que estamos falando, pois a obra de Bach é uma obra para o espírito. Se o seu plano for ler uma história de ficção sem nenhuma grande reflexão filosófica e espiritual por trás, pode esquecer Bach e procurar outro livro para ler. Nas palavras do próprio autor, “voar é minha religião, é a maneira que tenho de descobrir a verdade”. Pessoalmente, essa ideia muito me agrada e sou convicta de que Bach é um homem iluminado, com muitos ensinamentos a dar e cada um de seus livros é uma oportunidade de crescimento pessoal.

Contextualizações à parte, Resgate no Mar  não é nenhum Fernão Capelo Gaivota,  mas com certeza também tem seu mérito. O livro conta a história de Betina Furão, uma jovem determinada a fazer parte da equipe de furões de Resgate Marítimo, uma profissão que exige um trabalho árduo e incessante. A personagem é retratada repleta de características nobres, um ser que genuinamente só deseja fazer uma coisa na vida: salvar outras vidas.  Após uma enorme e inesperada tempestade, Betina Furão se envolve num incidente terrível ao tentar salvar a vida de dezenas de animais de um naufrágio. Durante esse incidente, Betina e sua amiga Kátia Furão têm uma experiência singular de “quase-morte”. É uma história mais voltada para o público infantil e não possui tantos elementos filosóficos e com múltiplos significados como em suas outras obras, mas cada um dos animais descritos em Resgate no Mar  ilustram alguma virtude.

Após terminar o livro, descobri que ele faz parte de uma coleção de crônicas chamada “The Ferret Chronicles”, mas infelizmente Resgate no Mar  foi a única que ganhou tradução no Brasil. Acredito que nesse caso específico a leitura de apenas uma parte dessa coleção tenha prejudicado o meu entendimento do que o escritor quis mostrar e provavelmente eu tive uma visão limitada do todo. Talvez por esse mesmo motivo eu tenha sentido bastante falta de uma escrita mais profunda e mais metafórica como já é esperado de Bach e não recomendo esse livro como primeira leitura do escritor. Para aqueles que já leram e já admiram Bach, o livro só tem a acrescentar.

Sem mais delongas,

Nota: 2/5

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago #DL 2013

Resenha: O Evangelho Segundo Jesus Cristo #DL 2013Autor: José Saramago Editora: Companhia das Letras Páginas: 445 Lançamento: 1991

Eu acredito que a primeira coisa que todo mundo deve sentir assim que abre O Evangelho Segundo JC é uma total estranheza e até mesmo confusão pela linguagem em que o livro é escrita. A gente fica completamente desnorteado tentando entender onde estão os pontos, as interrogações, as aspas, os travessões, e por aí vai…

Mas depois que você consegue atravessar o primeiro capítulo (o que não é nada fácil) você vai cada vez mais se acostumando com a forma peculiar de escrita de Saramago e em questão de pouco tempo você já começa a pensar que as pontuações já não servem mais para nada, pois Saramago as tornou obsoletas!

O Evangelho Segundo Jesus Cristo faz parte do gênero de Realismo Fantástico, muito popularizado após Gabriel Garcia Marquez escrever Cem Anos de Solidão. Para mim essa foi a melhor surpresa em relação ao livro, pois posso afirmar sem dúvidas que esse é o meu gênero favorito.

Se propondo a narrar a história arquiconhecida de Jesus Cristo de uma forma completamente irreverente, José Saramago criou uma obra muito polêmica. Não tem como negar que qualquer cristão ao ler essa obra e, principalmente católico, passa por alguns sérios dilemas ao ver figuras sagradas como José e Maria sendo descritas de forma tão mundana. Me oponho de forma categórica à redução dessa obra em uma simples crítica de um ateu à Igreja Católica, pois o ESJC é de longe muito mais que isso. Por esse motivo, eu recomendo fortemente que você, cristão, deixe seus dogmas de lado para entrar nessa obra maravilhosa de Saramago e tentar pensar nela como o que ela é: uma ficção, onde José, Jesus e Maria são meros personagens.

A parte que mais me emocionou no livro é quando Jesus descobre que é filho de Deus, escolhido para ser o Messias e que o seu destino é a cruz. Jesus tenta lutar contra seu próprio destino, pois ele não quer ser responsável por todas as mortes que estão por vir depois da sua crucificação. A Inquisição, as Cruzadas… Jesus não quer ser culpado pela morte de milhares de inocentes. Maria Madalena é a pessoa que vai reconfortar Jesus. Aliás, na obra, Maria Madalena é sua fortaleza, aquela que vai dar todo o consolo necessário para que ele enfrente seu destino. Ela exerce uma influência exorbitante sobre todos os atos do Messias e o orienta em todos os momentos de dúvida. No ESJC, Saramago coloca a imagem de uma mulher prostituta como a personagem mais sábia e decisiva da trama.

No trecho abaixo, as palavras decisivas de Maria Madalena que fazem com que Jesus aceite seu destino:
“Deus é quem traça os caminhos e manda os que por eles hão-de seguir, a ti escolheu-te para que abrisses, em seu serviço, uma estrada entre as estradas (…) portanto melhor seria que aceitasses com resignação o destino que Deus já ordenou e escreveu para ti, pois todos os teus gostos estão previstos, as palavras que hás-de dizer esperam-te nos sítios aonde terás de ir, aí estarão os coxos a quem darás voz, os cegos a quem darás vistas, os surdos a quem darás ouvidos, os mudos a quem darás voz, os mortos a quem poderias dar vida.”

Em suma, esse livro ocuparia uma das 5 primeiras posições de qualquer lista sobre os livros que você precisa ler antes de morrer.
Nota 5/5

Desafio Literário 2013

É a primeira vez que eu vou participar do Desafio Literário, por isso não tenho muita bagagem para explicar direito como funciona o projeto.

O que eu sei é o seguinte: o projeto existe desde 2010 e para participar basta ler 12 livros por ano e fazer uma resenha para cada um dos livros lidos. O fundamental aqui é que você resenhe livros que não tenha lido antes, justamente para incentivar novas leituras e para isso o projeto conta com a honestidade de cada um dos integrantes.

No início de cada ano, você pode encontrar no site do Desafio Literário um link com os temas já definidos para cada mês do ano. Em 2013, os temas são:

Janeiro – Tema Livre: Eu vou resenhar O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago. Com certeza será um livro bastante lido esse ano, pois ele se encaixa em outros dois temas. Era o livro que eu estava lendo quando fiquei sabendo do projeto, por isso achei melhor continuar com ele mesmo assim. Um livro muito interessante e bem difícil de resenhar já para começar o ano bem!

Fevereiro – Livros que nos façam rir: A grande verdade é que eu nunca li um livro que tenha me feito rir. Mesmo quando o livro é para ser de comédia é sempre mais fácil me pegar chorando ao ler o livro. Como eu já li todos os livros recomendados pelo site para esse tema, depois de uma consulta a minha biblioteca pessoal, decidi ler Tia Julia e o Escrivinhador, do meu querido Mario Vargas Llosa. De acordo com a sinopse do livro e alguns comentários de revistas, o livro é “engraçado e extravagante” então espero dar umas boas risadas.

Março – Animais Protagonistas: Sem via de dúvidas lerei um livro do Richard Bach, um dos meus escritores favoritos e um grande filósofo que sempre trata de animais como personagens principais. Como eu já li Longe É Um Lugar que Não Existe e Fernão Capelo Gaivota, dessa vez eu lerei Resgate no Mar.

Abril – Uma ou mais das quatro estações no título: Eu vou ler Um Verão Para Toda Vida, do Michael Noonan, simplesmente porque foi um livro que eu comprei há bem uns 5 anos e abandonei a leitura nas primeiras páginas. Acho que eu era muito nova na época para o livro e vou tentar dar mais uma chance.

Maio – Livros citados em filmes: Nesse mês eu lerei O Sol É Para Todos, de Harper Lee um livro que eu já estou querendo ler há um tempo e foi citado no filme As Vantagens de Ser Invisível.

Junho – Romance psicológico: Vou ler O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë. Também comprei o livro quando era muito nova e abandonei nas primeiras páginas. Já faz um tempo que ele tem estado na minha lista de próximas leituras e agora finalmente eu não terei mais desculpas para não fazer.

Julho – Cor ou cores no título: Eu estou muito empolgada para esse mês! Eu vou ler Um Estudo em Vermelho – Sherlock Holmes, do Arthur Conan Doyle. Sempre fui muito fã de histórias policias e principalmente do Sherlock Holmes, mas por algum motivo inexplicável eu nunca tinha lido um livro dele. Dessa vez vou contar os meses para Julho!

Agosto – Vingança: Definitivamente O Conde de Monte Cristo!!! Na minha infância todos os filmes adaptados dos livros do Alexandre Dumas eram os meus favoritos e eu sempre ficava empolgada quando passava na televisão. Sempre tive um certo receio em começar a ler esse livro, devido à extensão e também à linguagem um pouco difícil, na minha opinião. Mas pra quem começou o ano lendo O Evangelho Segundo J.C. do Saramago eu posso dizer que já me sinto um pouco mais preparada pra enfrentar Alexandre Dumas, finalmente.

Setembro – Autores portugueses contemporâneos: Eu fui perguntar pro meu tio que é português e ele me recomendou a obra Sôbolos Rios Que Vão, de Antônio Lobo Antunes. Dei uma pesquisada na internet e descobri que esse autor é muito premiado e já recebeu inclusive o prêmio Camões em 2008. Estou muito empolgada, porque estava querendo fugir de Saramago nesse tópico, justamente para tentar descobrir novos escritores portugueses já que é a proposta do desafio.

Outubro – Histórias de superação: Há muitos anos eu venho tentado ler um livro chamado As Boas Mulheres da China, escrita por uma jornalista de nome Xinran. O livro narra algumas histórias reais sobre as mulheres chinesas. O livro é tão pesado que eu nunca consegui passar do primeiro terço do livro. Dessa vez eu pretendo ler até o fim.

Novembro – Livros que foram banidos: Vou ler A Casa dos Espíritos, de Isabel Allende. Já é um livro que eu tenho há um tempo, mas sempre fui passando outro na frente e acabei nunca lendo. Sempre gostei muito do filme e acho que vai ser impossível me decepcionar.

Dezembro – Natal: Nesse mês eu vou ler um livro de Charles Dickens, um autor que eu sempre quis ler! A obra se chama O Natal do Avarento.