Fazendo Meu Filme 1, de Paula Pimenta

Autora: Paula Pimenta
Editora: Gutenberg
Páginas: 336
Lançamento: 2009

Comecei a ler essa série depois de ter visto tantas resenhas positivas sobre ela nos meus blogs favoritos e cometi o maior erro de todos: abri o livro com as maiores expectativas que eu poderia ter! Isso foi péssimo, porque não importa o quão boa foi a série, ela simplesmente não alcançou as expectativas geradas e eu não consegui evitar de terminá-la um pouco desapontada…

A Estreia de Fani é o primeiro livro da série já terminada Fazendo Meu Filme da autora mineira Paula Pimenta e narra a história de Fani, uma adolescente de 16 anos completamente apaixonada por filmes e DVDs e por seu lindo professor de Biologia. De repente, surge a possibilidade de um intercâmbio para Fani na Inglaterra e a partir daí a personagem começa a pensar como sentirá falta de seu amado professor e de seus dois melhores amigos Gabi e Léo, principalmente depois que o Léo começou a agir tão esquisito quando soube da futura viagem de Fani.

É um livro muito lindinho que descreve MUITO BEM como é a cabeça de uma adolescente de 16 anos, pelo menos eu pude me identificar bastante com os sentimentos confusos de Fani e acredito que se tivesse lido esse livro enquanto ainda estava no meu Ensino Médio ele teria inevitavelmente entrado para a lista es favoritos. Entretanto, não pude evitar de me sentir um pouco deslocada desde o início do livro, pois achei que a escritora Paula Pimenta direcionou seu livro muito mais para o público infantil do que eu imaginava. Me incomodou bastante a quantidade de orações curtíssimas – algo característico em livros muito infantis – assim como o vocabulário também era muito mais simples do que eu esperava. A leitura me lembrou bastante de outros livros brasileiros que eu lia quando era mais nova, especialmente a série Poderosa, de Sérgio Klein, pois achei a escrita parecida.

Livro recomendadíssimo para quem tem alguma prima/irmã/sobrinha de 12-16 anos para presentear ou para quem quiser relembrar as anedotas típicas da sua adolescência.

Nota 2/5

O Coração das Trevas, de Joseph Conrad

Título Original: Heart Of Darkness
Autor: Joseh Conrad
Editora: Martin Claret
Páginas: 117
Lançamento: 1899

Falar sobre O Coração das Trevas é um grande desafio e com certeza o maior que eu já tive até agora. Apesar de seu vocabulário fácil, sua pequena extensão e seu ritmo constante, engana-se quem pensa tratar de um livro de fácil compreensão. Cada linha dessa obra possui tantas metáforas e relações que as interpretações possibilitadas por elas são inesgotáveis, uma verdadeira fonte de produção de conhecimento para os acadêmicos!

O livro se passa no Congo durante a época do colonialismo e descreve a jornada de Marlow nas expedições em busca de marfim.
Mostrando sua percepção do imperialismo, Marlow aborda as imagens dos negros escravizados, dos canibais selvagens e dos brancos imperialistas através de um viés bastante crítico e de personagens marcantes. O que torna a leitura muito rica são justamente as imagens escondidas nas entrelinhas do livro, aquelas que não vem entregues de bandeja para você, mas que requerem uma capacidade de análise maior para serem percebidas.
A principal dessas imagens é a mesma que aparece no título da obra: escuridão. Várias ações do livro acontecem em lugares bem escuros, iluminados apenas pelo reflexo da lua no mar ou na neblina da noite, e essas palavras ‘luz’ e ‘escuridão’ aparecem ao longo da narrativa nas mais variadas situações, reforçando a importância desses dois conceitos para o entendimento da obra. Outro fator muito interessante no livro é a história dentro da história: Marlow está contando suas aventuras para o narrador do livro, que escuta tudo e passa adiante para o leitor do Coração das Trevas.

Assim que terminei de ler o livro, não consegui dizer exatamente se tinha gostado ou não, pois não tinha sido capaz de compreender todos os pormenores da narrativa. Entretanto, após a leitura de alguns ensaios críticos sobre a obra, descobri como Joseph Conrad realmente não pode ser subestimado. Tenho certeza que Conrad ainda será lido por muitos e muitos anos, pois a metáfora da condição humana de que trata é uma verdade inerente ao homem pertencente a qualquer época histórica.

Infelizmente não considero O Coração das Trevas um livro para todos os gostos, pois, apesar de sua atemporalidade, ele fala sobre questões de dominação social e cultural e quem não se interessar por esse assunto simplesmente não vai gostar da obra. O que é indiscutível aqui é que Conrad realiza com maestria ao que se propõe e se essa é a temática que você procura, não há como se desapontar.

Nota: 5/5

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago #DL 2013

Resenha: O Evangelho Segundo Jesus Cristo #DL 2013Autor: José Saramago Editora: Companhia das Letras Páginas: 445 Lançamento: 1991

Eu acredito que a primeira coisa que todo mundo deve sentir assim que abre O Evangelho Segundo JC é uma total estranheza e até mesmo confusão pela linguagem em que o livro é escrita. A gente fica completamente desnorteado tentando entender onde estão os pontos, as interrogações, as aspas, os travessões, e por aí vai…

Mas depois que você consegue atravessar o primeiro capítulo (o que não é nada fácil) você vai cada vez mais se acostumando com a forma peculiar de escrita de Saramago e em questão de pouco tempo você já começa a pensar que as pontuações já não servem mais para nada, pois Saramago as tornou obsoletas!

O Evangelho Segundo Jesus Cristo faz parte do gênero de Realismo Fantástico, muito popularizado após Gabriel Garcia Marquez escrever Cem Anos de Solidão. Para mim essa foi a melhor surpresa em relação ao livro, pois posso afirmar sem dúvidas que esse é o meu gênero favorito.

Se propondo a narrar a história arquiconhecida de Jesus Cristo de uma forma completamente irreverente, José Saramago criou uma obra muito polêmica. Não tem como negar que qualquer cristão ao ler essa obra e, principalmente católico, passa por alguns sérios dilemas ao ver figuras sagradas como José e Maria sendo descritas de forma tão mundana. Me oponho de forma categórica à redução dessa obra em uma simples crítica de um ateu à Igreja Católica, pois o ESJC é de longe muito mais que isso. Por esse motivo, eu recomendo fortemente que você, cristão, deixe seus dogmas de lado para entrar nessa obra maravilhosa de Saramago e tentar pensar nela como o que ela é: uma ficção, onde José, Jesus e Maria são meros personagens.

A parte que mais me emocionou no livro é quando Jesus descobre que é filho de Deus, escolhido para ser o Messias e que o seu destino é a cruz. Jesus tenta lutar contra seu próprio destino, pois ele não quer ser responsável por todas as mortes que estão por vir depois da sua crucificação. A Inquisição, as Cruzadas… Jesus não quer ser culpado pela morte de milhares de inocentes. Maria Madalena é a pessoa que vai reconfortar Jesus. Aliás, na obra, Maria Madalena é sua fortaleza, aquela que vai dar todo o consolo necessário para que ele enfrente seu destino. Ela exerce uma influência exorbitante sobre todos os atos do Messias e o orienta em todos os momentos de dúvida. No ESJC, Saramago coloca a imagem de uma mulher prostituta como a personagem mais sábia e decisiva da trama.

No trecho abaixo, as palavras decisivas de Maria Madalena que fazem com que Jesus aceite seu destino:
“Deus é quem traça os caminhos e manda os que por eles hão-de seguir, a ti escolheu-te para que abrisses, em seu serviço, uma estrada entre as estradas (…) portanto melhor seria que aceitasses com resignação o destino que Deus já ordenou e escreveu para ti, pois todos os teus gostos estão previstos, as palavras que hás-de dizer esperam-te nos sítios aonde terás de ir, aí estarão os coxos a quem darás voz, os cegos a quem darás vistas, os surdos a quem darás ouvidos, os mudos a quem darás voz, os mortos a quem poderias dar vida.”

Em suma, esse livro ocuparia uma das 5 primeiras posições de qualquer lista sobre os livros que você precisa ler antes de morrer.
Nota 5/5